quarta-feira, 16 de junho de 2021

Texto Quando Vem

Começo a achar que o mundo me entende: muita coisa passa, mas o que marca geralmente também dói. E estava eu pensando acerca de relações - as tão queridas e temidas relações amorosas. 

É possível que se ame de forma limpa? É possível que se passe por um amor, um já dito amor sem saber, sem dor alguma? 

Não parto da ideia de que nada nos machuca. Ninguém é perfeito e pequenas colisões acontecem. Mas, pensa comigo, até que ponto é preciso considerar aprendizado não sair ileso? Até que ponto é considerável que aquela relação sem atritos é perfeita aos olhos dos demais? Não tem uns parâmetros errados aí, não?

Estava indo para o trabalho quando uma foto mental me atingiu com força: uma árvore, no Parque Lage, com duas iniciais, minha e de um relacionamento passado que gera este post. Rapaz, imaginei na hora o meu próximo amor ao lado dela, eu de plateia e um novo coração talhado na pedrinha, meu e dele. E eu agradeci no pensamento. Eu agradeci por ter me ensinado muito sobre mim, sobretudo relacionamentos unilaterais - ao menos, foi o que vivi e senti naquele tempo. Ainda assim, questionamento: foi garantia de que erros não ocorrerão? 
Foi garantia de que na fantasia de um amor perfeito caberá uma pessoa melhor? E a pessoa errada? Errou por quê?

Me pego pensando na bagagem que a gente carrega de um para o outro, como se pudesse transportar só as partículas boas. Colisões, essas vão sempre acontecer. E eu começo a entender que o mundo me entende porque somos a mesma matéria. A mesma coisa, a mesma carga de erros e acertos, nem sempre os bons do cenário, nem sempre os maus. 

O que define as minhas certezas, na verdade, define os meus "será?". 

Imagem: Personare

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